ACROBACIA – Show Aéreo

O voo de demonstração aérea tem poucas semelhanças com a acrobacia de competição, inclusive porque pode ser feito em qualquer tipo de aeronave, não necessariamente um modelo ‘sangue-puro’ de acrobacia. É possível fazer shows com manobras acrobáticas utilizando aviões militares, aviões clássicos e antigos, aviões comerciais, e até helicópteros, desde que respeitados os limites aerodinâmicos e estruturais de cada um.
Qualquer um que já tenha ido nos grandes shows de Oshkosh, Le Bourget ou Farnbourough possivelmente teve a oportunidade de verificar isso pessoalmente.

Como exemplo dessa possibilidade em fazer manobras em aviões diversificados, segue um vídeo de demonstrações realizadas por Bob Hoover, um maiores aviadores de todos os tempos:

Com relação ao voo acrobático ‘clássico’ de show aéreo, há bastante diferença de um campeonato, sobretudo com relação à altura das manobras, as técnicas de pilotagem, aos objetivos, e principalmente aos riscos.
Em um campeonato o perigo é pouco considerável, dada a quantidade de limites que são impostos ao voo. Já em um show aéreo, o fator ‘espetáculo’ é o que deve prevalecer, e isso traz consigo uma carga extra de responsabilidade, e a segurança deve ser primorosa – para o piloto, mas principalmente para o público. Em todas demonstrações aéreas da atualidade existe um espaço predefinido onde as manobras devem ser efetuadas em relação ao público. Além disso, muitos pilotos de acrobacia começam suas carreiras lapidando seus voos nos campeonatos, para depois participarem de demonstrações. No entanto, essa regra não é geral, porque para voar aviões a jato, de transporte, ou clássicos, os critérios de manobras também serão diferentes dos existentes em campeonatos de acrobacia.

É também nesse ramo da aviação que se enquadram as esquadrilhas acrobáticas, que em sua maioria são militares (no Brasil a Esquadrilha da Fumaça) mas também podem ser comandadas por civis. A matéria referente a esquadrilhas é muito ampla, merecendo um post específico.

Esquadrilha "Frecce Tricolori", da Força Aérea Italiana. Foto Plinio Lins

Esquadrilha “Frecce Tricolori”, da Força Aérea Italiana. Foto Plinio Lins

Há um conselho internacional (Internacional Council of Air Shows) que promove e organiza shows aéreos de forma oficial e profissional.

COMPETIÇÃO X SHOW AÉREO

As duas categorias de voo acrobático (competição e show aéreo) não são rivais, pois o campo de atuação de cada uma é completamente diferente. Cada uma com sua finalidade, elas são rigorosas, tanto uma quanto a outra.

Apenas a título de exemplo, no Brasil, se celebrizaram na acrobacia de show aéreo os pilotos Alberto Bertelli (piloto civil) e Coronel Braga (militar, que foi comandante da Esquadrilha da Fumaça).

Abaixo, uma das demonstrações do Cel. Braga em seu North American T-6

OBSERVAÇÕES AO VOO EM BAIXA ALTURA

Algumas regras devem ser observadas por um piloto de demonstração aérea:
-Possuir uma sequência exaustivamente treinada, evitando ao máximo modificações em voo.
-Selecionar as manobras respeitando as próprias limitações e o desempenho do avião.
-Averiguar a altura que irá iniciar e terminar cada manobra.

Em competição, uma alteração de sequência faz com que o piloto zere a pontuação. Em show aéreo, as fantasias de improvisos trazem a possibilidade de o piloto terminar o dia em um cemitério.” Jean Pierre-Otelli

Há algumas manobras que podem ser realizadas a baixa altura, sem que isso coloque em risco a segurança, e há outras que de forma alguma podem ser feitas sem uma margem de segurança.
Uma regra mais ou menos genérica é que, se ela puder ser iniciada com velocidade e energia a poucos metros do solo e terminada com velocidade e sustentação a uma altura considerável, ela é uma manobra segura. Inverta essa regra e terá uma receita de desastre: iniciada com sustentação a uma altura segura, mas terminada sem energia nem velocidade, a poucos metros do solo. Pior ainda, se estiver em situação estolada.

Por esse raciocínio, chancelado pelos mais experientes pilotos de acrobacia, percebe-se que na prática são relativamente ineficazes as limitações exageradas de ‘low line’ que autoridades aeronáuticas muitas vezes impõem em demonstrações. Seria muito mais fácil avaliar a sequência que o piloto que voar, e eventualmente cortar alguma manobra que ferir essa regra.

Por exemplo, um parafuso chato (sem sustentação nem velocidade) terminado a 400 pés de altura (que é a ‘low line’ de muitos show aéreos) é muito mais perigoso do que um voo rasante de cabeça para baixo (com velocidade e sustentação), a 5 metros de altura.

Um outro fator que influencia na altura em que o show deve ser feito é o seguinte: quanto menor for a potência do motor, e quanto menor a razão de giro dos ailerons, mais alto devem ser as manobras, uma vez que qualquer correção ou recuperação será mais lenta.

Entretanto, seja no momento de um piloto compor uma sequência, seja no momento de um espectador apreciar o voo, um show aéreo será melhor aproveitando se forem utilizados os mesmos critérios da categoria Freestyle (de campeonatos), bastando que pelo menos dois deles estejam presentes para que a demonstração tenha valido a pena:

I – Originalidade,
II – Variedade,
III – Harmonia e ritmo
IV – Perfeição de execução.

Dessa forma, o ‘pódio’ imaginário dos shows aéreos poderá ser igualmente povoado por pilotos como Bob Hoover, Alberto Bertelli ou Skip Stewart, mesmo voando modelos de aviões completamente diferentes um do outro.

(bibliografia: Otelli, Jean-Pierre, Technique du Vol Acrobatique, Editions Altipresse; Lapparent, Xavier de, La Voltige C’Est Magic)

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