ACROBACIA AÉREA – Competição

Aviões de competição alinhados em Chateauroux, França.

Aviões de competição alinhados em Chateauroux, França.

Um campeonato de acrobacia não tem nada a ver com um show aéreo. É um esporte extremamente técnico e complexo, tanto para o competidor quanto para o espectador.
É também um esporte que possui poucos conhecedores, mas que é responsável por fazer surgir os melhores pilotos de precisão que existem, com a vantagem de exigir-lhes humildade, pois seus voos são constantemente avaliados e postos à prova em nome da perfeição. Quem é responsável pelas regras e rankings internacionais é a FAI – Internacional Air Sports Federation.
Uma competição de acrobacia é um esporte com regras específicas, parecido com a ginástica olímpica ou a patinação artística. Só que ao invés de usar o corpo, utilizam-se-se aviões especificamente projetados para manobrar e suportar altas cargas de aceleração (força “G”).

CATÁLOGOS DE MANOBRAS

Nesse ramo acrobático, as manobras são catalogadas e denominadas ‘figuras’, numa classificação que se originou a partir do chamado ‘Código Aresti’. Esse código representa as manobras por meio de símbolos e linhas.

Aparentemente ‘complicado’, ele passa a ficar mais claro quando se compreende, por exemplo, que:

-o voo positivo é um traço contínuo, e o voo invertido é pontilhado
-uma rotação (tounneau) é uma flecha, ou uma fração de flecha
-cada figura começa por um ponto e termina por um traço
-toda figura começa e termina na horizontal
-parafusos são triângulos retângulos, e snap roll é um triângulo isósceles
-a direção do vento deve ser indicada no desenho, por setas contíguas na parte superior

(clique na imagem para ver maior)

IMG_0889

O Código Aresti começou a ser elaborado na década de 1960 por um acrobata espanhol, o coronel Jose L. Aresti, e veio sendo constantemente aperfeiçoado, até ser substituído pelo atual Catálogo Acrobático da CIVA/FAI. Esse novo catálogo foi redigido por pilotos americanos, franceses e russos, assistidos pelo próprio Jose Aresti.
As manobras são atualmente divididas em 9 familias, assim numeradas:
-familias de 1 a 8, que são as manobras básicas
-F1: linhas e ângulos
-F2:curvas e tounneaux em curva
-F3: combinações de linhas
-F4: parafusos
-F5: reversões/hammerheads
-F6: estóis de badalo/tail slides
-F7: loopings, oito cubano, e oito vertical
-F8: combinações de linhas, ângulos e loopings
– a família 9, os tounneaux, que são manobras consideradas “complementares”, podem se inserir nas manobras das 8 familias acima descritas.

Para os que interessarem ver mais detalhes dos desenhos e nomes das manobras, é possível conferir no site da IAC – International Aerobatic Club.

Cada uma das manobras aí descritas tem um “peso” em pontuação, que é chamado de “coeficiente K” (constante no catálogo acrobático da FAI). O piloto deve voar uma sequência de manobras que são desenhadas com antecedência, e ser avaliado por um grupo de juízes, que ficarão no solo. Ao final de cada prova, multiplicam-se as notas dos juízes pelos coeficientes de cada figura para obter o número de pontos atingidos pelo piloto.

Sequência fixada no painel

A sequência de manobras pode ser colocada numa posição visível ao piloto durante o voo, de maneira a possibilitar lê-la como se fosse uma partitura musical.
No início e no final de cada sequência o piloto deve sinalizar com as asas aos juízes, para indicar que iniciou a prova.

Os juízes devem avaliar as manobras com critérios rigorosos, que incluem: a perfeição geométrica da manobra (forma, raio, ângulo, etc); execução primorosa e precisa; ritmo das rotações; a nitidez (o piloto deve definir bem quando está entrando e saindo de uma manobra); respeito à sequência e ao sentido do vento; o posicionamento dentro do BOX; a altura de voo, etc.

Abaixo, um exemplo de voo acrobático de competição, realizado pelo piloto brasileiro Francis Barros, em um Sukhoi-31:

AS CATEGORIAS

O grau de dificuldade das sequências é dividido em categorias, que vão aumentando gradativamente em nível de dificuldade, sendo a Básica a mais simples, e a Ilimitada a mais exigente:

-Básica,

-Sportman,

-Intermediária,

-Avançada

-Ilimitada.

Para cada categoria, um acrobata voa três sequências:
– uma sequência Conhecida, redigida pelos responsáveis da CIVA e publicada ao menos seis meses antes das provas (e que pode ser treinada à exaustão);
– uma sequência Livre, a qual pode ser desenhada pelo próprio piloto, observando-se um número máximo de manobras e o peso específico de “fator K”.
– uma sequência Desconhecida, que só é montada e distribuída pelos juízes 24 horas antes do voo, não podendo ser treinada com antecedência. É a mais seletiva das sequências.

Há ainda uma categoria que é reservada para os que receberem melhor pontuação, que é a “Freestyle 4 Minutos”.

Nessa categoria os pilotos terão 4 minutos para realizarem manobras que não são necessariamente catalogadas, podendo inclusive fazer uso de fumaça. Essa categoria foi instituída para incentivar a criação de novas manobras acrobáticas e também para entreter o grande público, que raramente entende o que acontece nos voos das outras categorias. E ao contrário das provas anteriores, os juízes não pontuam as manobras isoladamente, mas avaliam a sequência pelo seu conjunto, seguindo critérios de originalidade, variedade, harmonia, ritmo e execução.

Abaixo, um exemplo de voo “Freestyle 4 minutos”, do campeonato europeu de 2012 (Dubnica, Eslováquia).

O BOX DE MANOBRAS

Um voo de campeonato deve ocorrer dentro de um espaço delimitado no céu, com referências no solo, com tamanho de 1000 metros cada lado (altura, comprimento e largura), com sua base também com altura definida a partir do solo (diferente para cada categoria), e que não pode ser ultrapassado em voo, sob pena de perda na pontuação. Esse é o famoso “BOX” acrobático.
A existência do BOX torna um campeonato de acrobacia um evento extremamente seguro, pois obriga os competidores a voar em uma altura sensata e adequada para o nível de dificuldade de cada categoria.

(bibliografia: Otelli, Jean-Pierre, Technique du Vol Acrobatique; France Voltige; Lapparent, Xavier de, Magic Voltige; Goulian, Mike & Geza Szurovy- Advanced Aerobatics)
.

Anúncios

8 Respostas para “ACROBACIA AÉREA – Competição

  1. Pingback: Aeroportos de Americana e dos Amarais consolidam-se como polo de treinamento acrobático | aeromagia·

  2. Pingback: Treinando acrobacia de competição | aeromagia·

  3. Pingback: Campeonato Nacional de Acrobacia Aérea em Rio Verde-GO | aeromagia·

  4. Pingback: Contagem regressiva para o campeonato nacional de acrobacia – 2014 | aeromagia·

  5. Pingback: Hangar 33 no Campeonato Brasileiro de Acrobacias Aéreas 2015 | Hangar 33·

  6. Pingback: Conselhos para o voo de demonstração aérea | aeromagia·

Comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s