Voo em esquadrilha

VOO EM ALA/FORMATURA –

O voo ‘em formação’ é aquele no qual duas ou mais aeronaves voam próximas umas das outras, com mesma proa e velocidade, sob o comando de um líder. A prática surgiu nas duas grandes guerras mundiais, por necessidades estratégicas das incontáveis missões militares nas quais eram empregadas dezenas de aeronaves ao mesmo tempo. Desde aviões de paraquedistas, grandes bombardeiros, até os mais agressivos voos de caças, o voo em formação era uma realidade cotidiana. Os anos se passaram, e essa modalidade continuou inerente à aviação militar, desde as primeiras lições de voo.
No âmbito civil, sempre foi amplamente praticado por todo o planeta, em escolas de aviação, aeroclubes, ou eventos aéreos, mas é uma prática que requer treinamento e metodologia.

Foto: USAF

Para um voo em formação é indispensável que haja antes um briefing entre os pilotos, onde os detalhes sejam previamente combinados, e se estipulem convenções para possíveis imprevistos. Também é necessário um líder, que seguirá as trajetórias previstas como se estivesse só, cabendo aos outros se agrupar atrás dele, nas posições predefinidas para cada um.

Foto: Simon Yeo

Para o agrupamento, geralmente um avião aguarda o outro voando em trajetória circular, sobre um ponto específico, até que o(s) outro(s) se aproximem. Em seguida, faz-se o voo em formação, e a dispersão é feita por uma ruptura, geralmente um ‘break’, ou um ‘peel-of’, cuja intensidade deve respeitar os limites de carga ‘g’ do avião.
É o líder que dá as instruções, os outros apenas seguem. O lider deve sempre comunicar, preferencialmente, a velocidade, altura, e as manobras que serão feitas. Por exemplo, ao fazer uma curva, ele deve especificar: “Curva de 90 graus à esquerda, mesma altura, velocidade 130 mph.”

Existem ainda diversas configurações de voo em formatura, e para cada formação é dado um nome específico. Por exemplo, formação em ‘flecha’, ‘diamante’, ‘cobrinha-show’, ‘concorde’, ‘cruz’, ‘linha de frente’, ‘escalonada’, etc.

Foto: Francois Roche

ESQUADRILHAS ACROBÁTICAS

Para além das diversas formas e tipos de formação em voo normal, há ainda um estágio mais avançado, no qual o conjunto de aviões é levado para um voo mais intenso, fazendo acrobacias. Nada atrai mais o público em um evento do que um grupo de aeronaves evoluindo de forma harmônica e sincronizada, em manobras arrojadas, em meio ao barulho, e também à fumaça produzida. Em todos os eventos aeronáuticos, o voo acrobático em esquadrilha sempre é o ponto alto da festa.

Para que tal voo aconteça de forma impecável, é imprescindível que haja profissionalismo por parte dos pilotos, e tudo aquilo que vai ser apresentado deve ter sido cronometrado, repetido e avaliado com uma precisão exímia. O líder deverá estar ciente de todas as manobras que o grupo irá realizar, mas também deve conhecer tudo que os outros aviões farão.

Abaixo, as regras brasileiras referentes a voo em formatura:

voos em formação

 

Quase todas as grandes nações possuem uma esquadrilha de demonstração. A maioria das esquadrilhas acrobáticas são compostas por pilotos e aviões militares, mas também há inúmeras esquadrilhas civis pelo mundo afora. O Brasil pode se orgulhar de ter uma das mais reconhecidas equipes de demonstração aérea, que é a Esquadrilha da Fumaça (militar), mas também possui esquadrilhas civis, como a Extreme/BR Aviation (North American T-6), a Textor (Pitts, Cozy, Van’s RV/Slick) e a CEU (Van’s RV).

Textor Air Show

EM EVENTOS AÉREOS

Poucos eventos costumam atrair tantas pessoas como os shows aéreos. Nos Estados Unidos, o público varia de 10 mil até 1 milhão de espectadores, perdendo apenas para o baseball. Os shows aéreos são uma oportunidade de aproximar o grande público da aviação, que geralmente conhece apenas por uma visualização à distância, ou por meio dos jornais.
Para que se possa agradar à enorme variedade de pessoas presentes, deve-se programar a demonstração de sorte que as manobras agradem o público comum, que não entende de aviação, mas também satisfaçam os profissionais. Para isso, é necessário um minucioso estudo do que deverá ser realizado. Deve-se também avaliar a meteorologia – a pouca visibilidade pode comprometer o contato visual entre os aviões, e a turbulência também pode dificultar o voo em formatura, ainda mais se forem aviões leves.

QUANTIDADE DE AVIÕES

Não há um número específico para compor uma esquadrilha de aviões. Nem sempre quantidade é sinônimo de qualidade, e tecnicamente falando, acima de 8 ou 9 aviões não há muita coisa nova a se fazer para justificar um número tão grande de aeronaves. A quantidade, portanto, varia, mas se mantém em torno de números razoáveis: atualmente a esquadrilha mais numerosa é a Frecce Tricolori, da Itália, que manobra com dez aviões. Após ela, vem a Red Arrows (UK), com 9, a Patrouille de France (FR), com 8, Esquadrilha da Fumaça (BR), com 7, Thunderbirds e Blue Angels (EUA) com 6, Halcones (CH) com 5,  etc.

O recorde de evolução em voo em formação é do antigo grupo Black Arrows, precursores dos Red Arrows, que em 1958 executaram um looping com 22 caças Hawker Hunter sobre a região de Farnborough, Reino Unido.

Foto: RAF

 

 

VÍDEO: FUNDAMENTALS OF FORMATION FLYING (US. NAVY, 1952)
United States Navy training film covering the fundamentals of formation flying in the North American SNJ trainer aircraft

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