A condução do voo – Gestão de prioridades

Foto: Plinio Lins

O piloto entra na última curva, girando base, quando ele percebe que vai ultrapassar o eixo da pista e está um pouco baixo. Ele aperta a curva e tenta levantar o nariz, e então estola. Ele deu prioridade à trajetória em detrimento da pilotagem de sua aeronave.

Saber gerenciar prioridades é muito importante em uma atividade onde tudo se modifica constantemente: sua posição, a meteorologia, o tráfego… e também os parâmetros da sua aeronave. Em muitos acidentes, as hierarquizações de prioridades não são bem feitas.

Nota: a ordem de prioridade dos itens 3, 4 e 5, descritas abaixo, pode variar de acordo com as circunstâncias.

1 – PILOTAGEM DA AERONAVE

Manter um avião em voo, pilotar, é a prioridade das prioridades: velocidade, atitude, inclinação, configuração…tudo isso pode ser a última barreira antes da perda de controle. Existem situações que podem te distrair dessa responsabilidade ou que podem alterar sua pilotagem. É necessário ser consciente, resistir e agir de forma consequente. Este artigo não aborda o âmbito técnico do voo, mas o ponto é de tal importância que nunca é demais reforçar a ideia. Quando você voa, ou está em voo estabilizado (velocidade, trajetória)… ou está em evoluções como curvas, acelerando ou mudando de configuração… Durante evoluções, as suas margens de manobrabilidade, leia-se, margens de segurança, podem se alterar rapidamente e atingir certos limites sem que você se dê conta. É necessário, portanto, que ao manobrar a sua prioridade seja o voo.

-O tráfego é intenso, você é o 2º na ordem para aterrissar, e  não enxerga o nº 1.  A final se aproxima, você está tenso, e decide arremeter: pilotagem, pilotagem, pilotagem, você deve pilotar a sua aeronave.

-Seu motor perdeu potência? Pilotagem, pilotagem, pilotagem, você adequa a velocidade e coloca a aeronave no ângulo correto.

-Imediatamente após a decolagem, você escuta um barulho estranho; você está com ângulo correto, os indicadores do motor não variaram, então você continua a voar, e só quando estiver em voo estabilizado, check list efetuado, você procura a origem do barulho.

2 – GESTÃO DA TRAJETÓRIA

Você gerencia a pilotagem de seu avião, mas para onde ele está indo? A segunda prioridade é a gestão da sua trajetória. Você sabe onde você está, mas você deve saber, sobretudo, para onde você esta indo. O espaço deve sempre estar descortinado à sua frente: sem aeronaves ao redor ou no circuito de pista, sem nuvens ou relevos consideráveis, e, quando for necessário, você segue a trajetória imposta pelas circunstâncias: espaços aéreos, circuito de aeródromo, etc.

Você arremete e coloca o avião em rota ascendente: você agora pode gerenciar seu voo no contexto do ambiente ao redor. Nesse caso específico, localizar visualmente a pista para reposicionar o avião para o pouso.

3 – GESTÃO DA MÁQUINA

Uma vez asseguradas a pilotagem do avião e a sua trajetória, a terceira prioridade é em geral o gerenciamento da sua máquina: regulagens, mudanças de configuração, etc.

Avião estabilizado,  trajetória correta,  então pode-se voltar a atenção para o check list após decolagem.

4 – SUPERVISÃO DO VOO

Você deve em seguida supervisionar e gerenciar seu voo, o que significa ser vigilante para antecipar as coisas a fim de não se colocar em situações críticas.

Você está na perna do vento e o controle te dá uma informação de tráfego de outro aparelho, e você o procura visualmente.

5 – COMUNICAÇÃO

Comunicar-se é necessário, pois não estamos sós pelos ares. Dependendo das circunstâncias, a prioridade poderá ser a comunicação.

Ocorre um imprevisto e seu combustível está acabando. Você informa o controle para obter o benefício de uma aterrissagem prioritária.

O QUE MEMORIZAR:

Sempre que for voar, tenha consciência da gestão das suas tarefas em função dessas regras. Analise a hierarquia de prioridades.

E lembre-se que, embora pareça coisa simples, em situações delicadas essa hierarquia se torna difícil de ser respeitada.

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Publicado originalmente em http://www.mentalpilote.com. Tradução e reprodução autorizadas

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Nota: Segundo relatório do CENIPA, a segunda maior causa de acidentes na aviação geral brasileira é a perda de controle em voo, e em todas as causas de acidentes os principais fatores contribuintes foram: erro de julgamento, supervisão e planejamento.

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