Aeroportos de Americana e dos Amarais consolidam-se como polo de treinamento acrobático

Pitts S-1C do piloto Marcio Oliveira

Pitts S-1C do piloto Marcio Oliveira

Acrosport, Pitts S-2A do Lucas Bonventi e Pitts S-2A do Cmte. Casarin

Acrosport II, Pitts S-2A do Lucas Bonventi e Pitts S-2A do Cmte. Casarin

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Quem mora nos arredores do aeroporto de Americana (SDAI) ou de seu ‘quase’ vizinho aeroporto dos Amarais (SDAM) pode até pensar que aqueles pilotos estão apenas fazendo algumas ‘cambalhotas’ no céu. Mas a realidade vai muito além disso. Nesses dois aeródromos – principalmente no de Americana, às margens da rodovia Luís de Queirós – tem-se concentrado com frequência um número seleto de pilotos, com o fim de treinar rigorosamente sequências de acrobacia de competição  (se quiser saber melhor sobre essa modalidade de voo, clique aqui).

E não se trata de pessoas ‘aventureiras’. Em sua maioria, são pilotos de linha aérea, com vasta experiência de pilotagem – pilotos de E-190, de Airbus e até de gigantescos Boeing 777 – que tiram algumas horas da semana para se amarrarem em espartanos aviões acrobáticos e tentar atingir a perfeição da prática do voo. A finalidade é clara: manter seus instintos de pilotagem plenamente ‘ativos’ (algo cada vez mais difícil devido aos aviões extremamente automatizados de hoje) e igualmente preparar-se para os campeonatos de acrobacia, que em breve devem voltar a ocorrer no Brasil, organizados pelo CBA – Comitê Brasileiro de Acrobacia e Competições Aéreas.

Os treinos não tem dia certo para ocorrer, e dependem tanto da meteorologia quanto da escala de trabalho dos pilotos nas companhias aéreas. Mas seguem mais ou menos um padrão, que é o mesmo utilizado no mundo inteiro para a prática de acrobacia de competição:

-Antes de mais nada, os aviões utilizados devem ser projetados para a finalidade acrobática. Em Americana desfilam modelos acrobáticos ‘sangue puro’ – ou seja, feitos especificamente para acrobacia – que possuem motores potentes e estrutura extremamente resistente. É frequente a presença dos biplanos Pitts, Christen Eagle, e dos monoplanos Decathlon e Extra.

-Ademais, é necessária a existência de um “BOX” acrobático, um cubo imaginário com 1000 metros cada lado, com laterais marcadas por referências no solo, e cuja base inferior fica a uma altura segura do solo, algo em torno de 300 metros – é dentro desse espaço que o piloto realizará as manobras. Esse “box” é estabelecido por um NOTAM, que é renovado de tempos em tempos pela autoridade aeronáutica, a pedido dos pilotos. No caso de Americana e dos Amarais, há uma enorme vantagem, pois os ‘box’ são localizados próximos à pista, o que confere mais segurança em caso de pane ou outro imprevisto que torne necessário um pouso.

-Além disso, um treino de acrobacia de competição nunca ocorre com a presença apenas do piloto: ele utiliza também de um treinador no solo, que tem a função de acompanhar visualmente a realização das manobras e se comunicar por rádio com o piloto, informando as eventuais falhas na realização da manobra, correções e demais impressões gerais, tudo em busca da perfeição.
Esse treinador de solo também acaba exercendo a função de ‘controlador’: ele observa o tráfego na região, mantendo o piloto informado acerca de aeronaves nas proximidades, o que torna muito mais seguro o voo, principalmente no caso desses aeroportos que são desprovidos de rádio ou de torre.

-E finalmente, os voos de competição seguem um roteiro preestabelecido, pelo qual o piloto já sabe especificamente que tipo de manobras irá realizar, em qual altura irá voar, qual altura e velocidade deverá iniciá-las e terminá-las. Os voos em geral são curtos – duram de 10 a 20 minutos – ao final dos quais cada um faz um debriefing com os demais, para avaliar onde deve ou não melhorar.

Podemos portanto concluir que, se é certo que essa região de SDAM/SDAI possui uma grande movimentação aeronáutica, por outro lado certamente poucos voos ali são tão criteriosos, e ao mesmo tempo com tanta ‘bagagem’ de conhecimento aéreo como os praticados com essa finalidade: a acrobacia de competição.

 

Wilson Brasil é comandante e instrutor de Boeing 777 e também voa esse belo Pitts S-2B!

Wilson Brasil é comandante e instrutor de Boeing 777 e também voa esse belo Pitts S-2B!

Extra 300 LP, top de linha da acrobacia. Clique na foto para conhecer melhor

Extra 300 LP, de fabricação alemã, com os pilotos Denis Schwarzenbeck e Hernani Dippolito.

Marcos Geraldi e o CEA-390 Mehari, acrobático ilimitado projetado pela UFMG, também já esteveram presente nos treinos.

Marcos Geraldi e o CEA-390 Mehari, acrobático ilimitado projetado pela UFMG, também já estiveram presentes nos treinos.

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