O Valor Educativo da Acrobacia Aérea

200211_1665672439721_1174586019_31486664_7380654_nO texto a seguir foi publicado originalmente em 1938, em uma revista da Armée de l’Air (Força Aérea Francesa). Seu autor foi o então capitão Fleurquin,  líder da  esquadrilha “Etampes”, constituída por 9 aviões Morane-Saulnier 225.  Apesar do passar dos anos e da evolução dos aviões, essas palavras continuam mais atuais do que nunca. Os trechos foram extraídos de um dossier sobre acrobacia aérea, organizado por François Besse na revista Piloter, nº 24, França.

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“A acrobacia aérea não tem nada a ver com uma ‘excentricidade’ nem com ‘cambalhota’: ela é o próprio ato de voar.

“Ao abordar todas as hipóteses de voo, explorando todas as condições, mesmo as mais adversas, a acrobacia dá àquele que a pratica um sentido do ar e das possibilidades do avião que outro piloto, por mais ‘voado’ que seja, jamais poderá adquirir.

“O piloto acrobata penetra na intimidade de sua máquina. Ele faz isso progressivamente, sem a violentar, e ela se entrega inteiramente a ele, com suas qualidades e seus vícios. Esse conhecimento permite ao piloto manobrá-la com plena consciência, de solicitá-la com tato, de descobrir seus caprichos, e, finalmente, de obter dela todos os movimentos que ele desejar. É dessa composição harmoniosa do homem com sua máquina que nascerão as manobras mais perfeitas.

“A acrobacia permite analisar todos os fenômenos, e possibilita dissociar o efeito de cada manobra. O piloto se torna capaz de tirar proveito do menor índice, de descobrir o valor do menor de seus gestos, de sentir a máquina nos seus meandros mais secretos.

“O que distingue um piloto de acrobacia aérea, bem mais do que os seus conhecimentos, é o seu ‘savoir-faire’, seu modo de voar. Essa vantagem é de tal maneira notória que dispensa longas explicações. A discrição de seus gestos ao voar é o que mais surpreende. Ele não tem discrição de movimentos por uma questão de negligência, mas sim porque ele sabe os riscos e até mesmo a superficialidade de fazer movimentos precipitados ou excessivos nos comandos.

“O avião não faz, no fundo, nada mais do que aquilo que o piloto quer fazer, e não é brutalizando que ele obterá os melhores resultados. Ele manobra sobre os parâmetros que lhe são convenientes, e demanda, por consequência, para cada manobra uma determinada altura e determinado tempo.  Se você aperta muito a trajetória, poderá significar uma perda de controle que poderá precipitar num parafuso. Numerosos acidentes aconteceram pela única razão de que o piloto, contra toda evidência, quis obrigar o avião a fazer aquilo que ele não era capaz de fazer.

“Manter o avião constantemente sob comando, solicitá-lo e agir conforme suas pressões, esse é o segredo da rapidez, por mais paradoxal que pareça; enfim, a acrobacia é essa coisa repleta de ensinamentos…”

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