Skip Stewart voa no Brasil

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Skip Stewart corta faixas no aeroporto de Pará de Minas

Nos dias 6 a 10 de junho, esteve no Brasil o piloto norte americano Skip Stewart, mundialmente famoso por suas manobras em baixa altura e alta velocidade em biplanos avançados. Skip veio ao país a convite do piloto Lucas Bonventi para fazer duas apresentações no evento Aerorock, que ocorre anualmente no aeroporto de Pará de Minas-MG. Nos voos, o avião utilizado foi um Pitts S-2B – um ícone da acrobacia aérea –  pertencente ao Cmte. Wilson Brasil. O exemplar utilizado tem a vantagem de possuir um motor com cerca de 320 hp de potência (cerca de 60 cavalos a mais do que a versão original), o que sem dúvida contribuiu muito para que os voos feitos pelo Skip se tornassem bastante parecidos com os ele realiza com seu próprio avião. Ao realizar seu voo, certamente ele demonstrou que boa parte da execução das manobras depende mais do piloto do que do avião.

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Aproveitando um pouco dessa estadia dele por aqui, pedimos para o amigo Lucas Bonventi fazer algumas perguntas que pudessem ser do interesse de mais pilotos. Seguem elas:

Como você começou a gostar de acrobacia e decidiu se tornar piloto de demonstração?

Eu tive meu primeiro contato com a aviação já na infância, pois meu avô era piloto agrícola e me levava para voar com ele. Quando tinha por volta de 9 anos de idade, passei a voar aeromodelos e adorava fazer acrobacias com eles. Até que um dia, quando eu tinha 14 anos, vi o piloto Leo Loudenslager se apresentar com seu Laser 200. Então disse para mim mesmo: eu também quero fazer isso!! Fiz o curso de piloto quando ainda estava na faculdade, e em seguida já iniciei a prática de acrobacia. Comecei a trabalhar na aviação comercial, e juntei dinheiro para comprar meu primeiro avião, um Pitts S-2A. Me inscrevi em campeonatos, mas não foi fácil conseguir as primeiras colocações; havia pilotos muito bons, que voavam muito bem e tinham aviões melhores que o meu. Depois de muita persistência consegui ser campeão em uma das competições, e a partir daí coloquei meu foco na acrobacia de demonstração, visando entreter e divertir as pessoas. Então vendi meu Pitts S-2A e comprei um Pitts S-2S, no qual fui fazendo modificações ao longo dos anos, até se tornar o que é hoje, o Prometheus.

Que critério você usa para selecionar o repertório de manobras para suas apresentações?

O principal fator é que, se é uma ‘demonstração’, as manobras precisam ser interessantes de ser assistidas pelo grande público. Você tem que ter em mente que precisa voar de maneira consistente, e deve ser assim em cada minuto do voo. Além disso, o voo precisa ser feito numa altura reduzida. Isso porque quando o voo é muito alto o público se distrai facilmente, não prestam atenção, se desligam, e aí você estará perdendo seu tempo. Então é preciso voar com esse foco, de impressionar e encantar as pessoas. Isso não significa que deva fazer coisas perigosas! Eu gosto de simplificar algumas manobras que em princípio são difíceis. E também tem a questão da velocidade: uma simples passagem com velocidade faz com que o barulho do avião já impressione o público, e procuro sempre usar esse ponto a meu favor.

O voo a baixa altura exige atenção redobrada. Como você faz para ter segurança nessas manobras a baixa altura?

As manobras tem que ser muito bem feitas, com muita energia, velocidade, precisão e atenção, e devem ser muito bem treinadas. É preciso deixar os comandos sempre ativos. Em voo rasante, caso ocorra um imprevisto você não terá tempo de pensar e precisará ter reflexos muito rápidos. E também há uma questão fundamental: as manobras baixas devem ser de execução simples! As manobras mais complexas e as que reduzem os comandos do avião, eu faço  com uma altura mínima de segurança.

Você teria algum conselho para os pilotos de acrobacia brasileiros?

Acredito que eu não seja a pessoa ideal para dar algum tipo de conselho para outros pilotos… Mas caso alguém queira fazer voo de demonstração acrobática, o que eu tenho a dizer é  que antes de tudo deve fazer um curso bem feito, treinar muito, ganhar campeonatos –  e precisa GANHAR, e não apenas competir – treinar, treinar e treinar mais, e adquirir confiança em todas as manobras e situações de voo. E depois, com muita consistência e treino, quando estiver com o avião ‘na mão’, aí poderá ir abaixando a altura do voo.

O que você achou dessa visita ao Brasil?

Eu gostei muito, as pessoas são muito legais e companheiras. Eu aproveitei muito a recepção que fizeram para mim em Pará de Minas, Bragança Paulista e Atibaia, e sou grato a todos por isso. O país é maravilhoso, e o clima também ajudou muito nessa estadia. Eu gostaria de ter voado com meu avião aqui, quem sabe no próximo ano isso venha a acontecer!

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Nota: no início deste mês, Skip Stewart foi indicado para receber o prêmio 2013 Award Bill Barber for Showmanship, destinado aos pilotos ou equipes que demonstram grande carisma e habilidade no palco do espetáculo aéreo mundial. Em anos anteriores, esse prêmio já foi concedido a pessoas como Bob Hoover, Sean Tucker e Patty Wagstaff .
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Abaixo, seguem dois vídeos com trechos dos voos realizados por ele em Pará de Minas.
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