“Plano de Libertação Aeronáutica”

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“A agência responsável pela regulamentação aeronáutica ameaça implantar novas regras que se acumularão a outras já existentes, e que terão como resultado uma asfixia cada vez maior da prática do voo. Um verdadeiro ‘mamute’ de regulamentos ameaça se sentar sobre os aviões e seus pilotos.”

Por mais que o quadro acima descrito pareça familiar, ele não se refere à aviação brasileira…trata-se de uma situação que está ocorrendo na Europa, envolvendo a EASA (Agência Europeia de Segurança Aérea), que pretende alterar a todo custo as portarias que regulamentavam a aviação geral no continente. Alterações anteriores já contribuíram para fazer desaparecer fábricas lendárias de aviões leves, esmagando-as sob o crescente custo da burocracia e certificação. Obviamente o preço dessa situação também foi repassado aos pilotos e operadores das aeronaves. E a opinião desses operadores é que “no contexto atual de crise, uma reforma supérflua, apenas para atender a um novo ‘ponto de vista da aviação’, é a gota que fará transbordar o balde…

Nesse contexto, a mais antiga instituição aeronáutica do mundo – o Aero-Club de France – resolveu encabeçar uma revolta, à qual deu o nome de “Plano de Libertação Aeronáutica Nacional e Europeia”, ou somente “PLANE”. Trata-se de um movimento, iniciado em fevereiro deste ano, que não só visa a impedir que surjam novas regras desnecessárias, mas também que se reforme o que já existe, para jogar fora o que não serve para nada. Ou seja, uma postura não somente defensiva, mas ofensiva.

“A especificidade da aviação geral exige uma revisão completa e fundamental dos textos em vigor ou previstos, o que exigirá um verdadeiro combate, aqui e em toda a Europa, para garantir a própria existência da aviação geral no futuro. As portas estão abertas para unir todas as forças potenciais, para mobilizar os batalhões de choque capazes de conduzir à vitória, recusando morrer sob os mesmos braços que nos impõem a acumulação de limitações, aceitando somente consultas verdadeiras, e não simulacros de consultas feitos com respostas imediatas e formulários impostos à força ” – essa é a declaração inicial do PLANE.

Alguns sindicatos e federações profissionais ficaram receosas do tom ‘ameaçador’ do PLANE, e, conscientes da fragilidade de seus laços com os administradores, manifestaram-se a favor de um diálogo de combinação, ao invés de uma revolução.

Porém, na reunião inicial da ‘revolta’ encontraram-se representantes da AOPA, de associações dos profissionais da aviação geral, da Federação Francesa de Aeronáutica (encarregada dos esportes aéreos), de associações de aviação comercial e de helicópteros, e até mesmo da Airbus. Cada uma defende sua própria independência e busca afirmar os direitos que possuem.

Os dirigentes do movimento sabem que nem todos os setores da aviação concordam, mas acreditam que a crítica é benéfica para solidificar a atuação. E também sabem que com instâncias governamentais o ‘lobby’ geralmente influencia mais do que as ameaças, mas parecem não se importar com isso. Inclusive já há um grupo de estudos formado, com propostas concretas e pontuais, que vão até mesmo além do que os teóricos de gabinete da EASA podem enxergar. Assim, não deixam para pensar na solução apenas quando forem consultados: eles já tem tudo escrito.

Dessa forma, pela primeira vez, de forma totalmente voluntária, a aviação geral francesa parece se unir para trabalhar em direção a um só objetivo: evitar toneladas de regulamentos desnecessários, e os problemas que eles trarão.

Fonte: aerobuzz.fr

(Nota: Vale lembrar que no Brasil ocorre uma situação parecida, e a APPA – Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves tem feito importantes atuações nesse sentido.)

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5 Respostas para ““Plano de Libertação Aeronáutica”

  1. Aqui o pessoal adora reclamar, mas poucos são os que tomam medidas efetivas. A maioria fica só no choramingo de facebook. Bom que a APPA está movendo algo, senão os caras da ANAC montam em cima mesmo, pensam que estão dirigindo um monte de jegues sem reação.

  2. Era uma vez, um Império (O Romano!) que na virada do Milênio “Retrasado” dominava todo o Mundo Conhecido.
    Menos…Hmmm… “A Gália”!!!
    Quem já leu “Asterix”, sabe!
    “Vive la Resistance”!!!
    Vamos jogar fora, “Exterminar”, tudo que não ajuda em nada!
    Tudo que não reduz custos, melhora a Eficiência, a Segurança de Vôo, etc.
    Terra de Blériot, Dumont(1/2), Marcel Dassault, Claude Piel, etc.
    Povo combativo, por vezes arrogante, mas uma arrogância “Construtiva”, principalmente, em se tratando do Vôo.
    A própria Aviação veio desse “Espirito”.
    Se eles querem, conseguem!!
    Os problemas daqui são piores.
    São problemas “Mal Educados”!
    Não acredito que a APPA tenha todo esse “Saco Roxo” pra revolucionar alguma coisa. A primeira ligação “pra conversar” que eles recebam da SAC e a coisa desanda.
    Essa opinião exclusivamente minha?

  3. NO BRASIL A FRASE MAIS PRONUNCIADA POR PILOTOS É “TENHO MEU AVIÃO E O RESTO QUE SE FODA”. OS PILOTOS SÓ PENSAM NOS SEUS UMBIGOS. NUNCA HAVERÁ ESSA UNIÃO QUE EXISTE EM OUTROS PAÍSES, A AVIAÇÃO CIVIL BRASILEIRA É DESTRUÍDA PELOS PRÓPRIOS PILOTOS

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