Campeonato de Acrobacia no Ninho das Águias

IMG021Pela primeira vez na história, a Academia da Força Aérea Brasileira – também conhecida como ‘Ninho das Águias’ – sediou um campeonato de acrobacia aérea. Essa situação inédita ocorreu graças a uma parceria promovida pelo presidente do CBA (Comitê Brasileiro de Acrobacia e Competições Aéreas), Luiz Carlos B. Dell Aglio, com alguns aviadores da nossa Força Aérea, principalmente o Coronel Fernandes, da AFA, e o Ten. Cel. Gobett, atual comandante da Esquadrilha da Fumaça – tudo realizado com o aval do Brigadeiro do Ar Carlos Eduardo, comandante da base.

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Após ajustarem a forma de realização da competição, a organização geral do evento ficou a cargo de uma equipe de voluntários liderada por Ricardo Soriani, que já tinha experiência na organização de encontros no Broa e no Museu da TAM, fazendo com que a infraestrutura oferecida pelos militares fosse aproveitada da melhor forma possível durante o desenrolar do campeonato. Inicialmente, a disputa seria realizada na pista do setor Leste, mas, tendo em vista que o Ten. Cel. Gobett havia oferecido o hangar da Esquadrilha para abrigar os aviões competidores, o campeonato terminou por transcorrer no setor Oeste, onde ficam as duas pistas maiores. E graças a uma rigorosa organização da equipe de solo, em sintonia com a torre de controle, todo o tráfego de aeronaves se realizou na mais perfeita harmonia, e em nenhum momento foi alterada a operação da base. No que diz respeito ao combustível, este foi patrocinado pela BR Aviation.

Embora a data oficial da competição tenha sido de 31 de julho a 02 de agosto, já na segunda feira, dia 28, os primeiros competidores chegaram à base, com o objetivo de realizar alguns voos de treinamento dentro do box. E no decorrer da semana, os demais pilotos foram chegando, vindos das mais diversas partes do Brasil, e foram também iniciando os preparativos.

IMG001Nessa competição, que já é a segunda de nível nacional realizada pelo CBA, o grande destaque foi a presença de John Gaillard, sul africano que foi o juiz-chefe do campeonato mundial de acrobacias do ano passado, e que também estará presente nas próximas competições internacionais da FAI. A presença de alguém tão experiente serviu para elevar o nível dos juízes brasileiros, e também para servir de parâmetro, ajudando a superar as limitações que ainda existem no segmento de julgamento de manobras. No caso de conflitos referentes a pontuação, a nota conferida por ele era usada como referência, sendo um critério de desempate.

No início de cada dia era feito um minucioso briefing, para repassar as instruções e também ouvir sugestões e críticas dos pilotos. Em relação aos voos, o primeiro lugar na categoria básica ficou com Guilherme Borges, de Bebedouro-SP, que voou a sequência utilizando o Super Decathlon da Villela Aero Sports. Em segundo lugar ficou o piloto Ricardo Conte, em um RV-7, e em terceiro Rodrigo Damboriarena, em um Extra 330LX.

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A categoria Sportman foi a mais disputada, com quinze pilotos concorrendo. Dentre esses, alguns já eram velhos conhecidos – como Filipe Rafaeli, que já ganhou diversas vezes o primeiro lugar – e outros eram talentos que se revelavam. O primeiro lugar ficou com Juliano Barros, que voou um Christen Eagle II, seguido de Filipe Rafaeli, que ficou em segundo, voando no Super Decathlon. Mas nessa categoria quem mais impressionou foi o piloto Eduardo Haupt, que voou a sequência utilizando um avião Boeing Stearman, fabricado em 1943, sem alimentação para voo invertido. Para administrar a energia de algumas manobras, a perícia do piloto foi fundamental, inclusive arrancando aplausos dos colegas. Na opinião de John Gaillard, esse competidor mostrou que “mesmo que seja comum tantos se preocuparem com o fator ‘máquina’, o principal mesmo é o fator ‘homem’”.

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Na categoria Intermediária, o primeiro lugar ficou com Camilo Freitas (Christen Eagle II), do Aeroclube do Rio Grande do Sul, seguido de Eduardo Venson, que também voou com esmero um Decathlon. Em terceiro veio Márcio Oliveira, em seu Pitts S-1C.

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A categoria Avançada foi disputada por André Textor, com seu Pitts S-2X, e por Marcos Geraldi, que ficou em primeiro lugar estreando em competição o avião CEA-309 Mehari, projetado pela Universidade Federal de Minas Gerais especialmente para esse esporte aéreo.

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E ainda, a sequência Ilimitada foi voada pelo piloto Francis Barros, que atualmente é o principal representante do Brasil em competições internacionais. Como foi o piloto melhor pontuado na categoria mais difícil, ele continuou com o título de Campeão Brasileiro.

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Ten. Cel. Gobett, Francis Barros e o presidente do CBA, Luiz Dell Aglio

Para conferir o ranking com todos os pilotos, clique aqui.

Conforme foi dito no briefing inicial, em uma competição de acrobacia o piloto não voa contra o colega: voa contra si mesmo, contra suas limitações, tendo que administrar o avião e as forças naturais que o envolvem. Assim, apesar de existirem rivalidades, o clima de amizade perdurou durante todo o evento. Com relação aos juízes, obviamente surgiram algumas divergências sobre notas, mas assim como no futebol e em outros esportes, é algo que faz parte do jogo. Nesse campeonato, os voos foram filmados, para possibilitar uma conferência e correção de nota em caso de protestos.

Além dessa questão, devido a limitações de ordem burocrática, alguns pilotos não puderam realizar seus voo de maneira ‘solo’, e tiveram que decolar com um segundo piloto a bordo – o ‘safety pilot. Assim, merecem agradecimentos os pilotos Hernani Dippolito, Marcos Geraldi, Marcio Oliveira, Wilson Brasil e Gustavo Martucci, que serviram de ‘saco de pancadas’ para os voos acrobáticos.

Também vale ressaltar a presença de veteranos que estiveram visitando o campeonato: Sérgio Machado, Carlos Alberto Rampi, Lidio Bertolini, Luiz Guilherme Richieri, Paulo Bastos, Fernando Paes de Barros, Marcus Tabacnik, Gunar Armim, Bertoto Bastos, Fernando Guerra…E, durante todo o evento, um pôster do Bertelli esteve presente, para deixar patente que a caminhada para o futuro não deixa cair no esquecimento aqueles que no passado seguraram a mesma bandeira.

Mas o principal agradecimento deve ser feito de coração a todo o pessoal da Academia da Força Aérea, e também a todo o pessoal da Esquadrilha da Fumaça, pela acolhida espetacular que propiciaram aos acrobatas. Sem dúvida tratam-se de aviadores que respiram o mesmo ar e falam a mesma língua. Se não fosse o convite inicial do Coronel Fernandes, com apoio do Brigadeiro do Ar Carlos Eduardo, comandante da AFA, dificilmente esse campeonato teria o brilho que teve. E também, fica a gratidão ao Ten. Cel. Gobett e aos demais fumaceiros, que  acolheram os competidores e voluntários no hangar da Esquadrilha da Fumaça – equipe que é responsável, há mais de 60 anos, por fazer brilhar a chama da acrobacia aos olhos dos brasileiros. Que esse elo siga cada vez mais forte!

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Pilotos competidores junto com os fumaceiros

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Briefing

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Churrasco de hangar

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Interação com os fumaceiros

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2 Respostas para “Campeonato de Acrobacia no Ninho das Águias

  1. No próximo ano vocês poderiam calcular a data de forma a que o campeonato terminasse junto com o Domingo Aéreo. Assim poderiam aproveitar os pilotos e aeronaves para fazerem um belo show de encerramento.

  2. Pingback: A acrobacia ensinando a engenharia – Como nasceu o CEA-309 Mehari | aeromagia·

Comentários

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