Mundial de Intermediária – Conversando com Marcio Oliveira

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Já é de conhecimento geral que o piloto Marcio Oliveira representou o Brasil no Primeiro Campeonato Mundial de Categoria Intermediária, que ocorreu em Mossey Bay, na África do Sul.

Passada a competição, agora é o momento de descobrirmos um pouco dos bastidores dessa realização, de modo a estimular mais pilotos a percorrer o mesmo caminho.

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-Quando surgiu o desejo de voar acrobacia?

Desde criança eu sonhava em ser piloto, e a acrobacia veio quando eu assistia shows no aeroclube de Piracicaba e via os Tucanos da Esquadrilha da Fumaça, os T-6 da Onix, do Braga, o Lidio, o Gunar com o Pitts, e o Bucker do Marcão!
O voo acrobático acrescentou algo na sua atividade de piloto comercial?

O piloto de acrobacia, na minha opinião, tem que ser doutrinado, ter uma consciência situacional elevada e muito apaixonado pelo que faz. E é claro que tais qualidades são encontradas em boa parte dos aviadores da agrícola, linha aérea, helicóptero, planador, etc. Eu acho que o que motiva é fazer com paixão e dedicação o que você se propõe a fazer. E é claro que o que se dedica na acrobacia também vale pra linha aérea, no meu caso.

 

– Quando começou a se interessar por campeonatos?

Na verdade fui incentivado pelos amigos a participar, pois eu não tinha ideia de como era um campeonato. Sempre ouvi meus amigos – Haupt, Gunar, Casarin, Lucas, Brasil e ate o Soriani  – me dizendo que eu deveria participar de campeonatos. Quando decidi começar os treinos, faltavam dois meses para o Campeonato Nacional, e o Gunar se dispôs a vir me treinar de graça nas folgas dele. Foi quando ele me encorajou a voar na categoria Intermediaria. Eu tinha medo de fazer feio, sabendo que há ótimos pilotos no Brasil…foi assim que eu entrei nos campeonatos.
– Como decidiu participar do campeonato na África do Sul?

Na verdade no meio do campeonato brasileiro fui convidado pelo John Gaillard, (juiz internacional) a participar do mundial. Fiquei surpreso e empolgado, e fui encorajado a ir pelos meus amigos, sendo que inclusive alguns até me ajudaram financeiramente –  Thiago Beraldo da Sierra Bravo Aviation, Luis da Cruzeiro do Sul, Abdul Pholmann, e Italiano da Aerodinamica, da aviação agrícola… Ademais, o Andre Textor, Alexandre Venzon, e Eduardo Haupt me recomendaram para o proprietario do Pitts na África do Sul.

 

– Como eram feitos os treinamentos? Houve alguma dificuldade que precisou ser superada?
Os treinamentos no Brasil foram feitos em Americana-SP e supervisionados pelo Gunar. Houve a dificuldade financeira, e também de tempo, pois trabalho em linha aérea, e conciliar tudo isso com família tenho certeza que não é fácil pra ninguém!
– Como fez para escolher o modelo de avião a ser voado, e como o obteve?

Na verdade, era o único Pitts S-1(era um S-1S) e obtive graças a indicação do John Gaillard somada à recomendação dos pilotos brasileiros que citei.
– Como era o dia a dia durante o campeonato?
O dia a dia era horas de espera e minutos de alta adrenalina! Como havia equipes de até 12 pilotos, e muito bem treinados, a tensão era grande.

– Houve algum tipo de dificuldade?
Sim.  Eu cheguei 3 dias antes do inicio para poder treinar e me adaptar ao avião, ao  lugar, etc. Porém devido ao mau tempo o avião só chegou um dia antes do campeonato. Tive de lidar com uma pane de freio, ventos de 30kt, e ate 25kt de través, e apenas 2 treinos de 10 minutos no box antes da competição.
– Quais as vantagens que teve em matéria de contatos?

Não diria vantagens: fiz grandes amigos, aprendi muito, e os contatos vieram naturalmente com o passar dos dias. E ao final do campeonato me senti honrado ao receber convites para voar acro em outros lugares. Reciprocamente, eu convidei a eles para competirem no Brasil.
Qual a principal aprendizagem ou benefício que obteve com a participação?

Em matéria de voo o aprendizado foi ver como eles usavam a estratégia para voar em dias com muito vento, como melhorar o posicionamento, e o espírito de equipe que cada país tinha: por exemplo os campeões da ilimitada da Rússia, África do Sul etc, treinavam as novas gerações e acompanhavam os competidores afim de orientá-los durante a prova.
E é claro que como eu estava sozinho, e sem experiência, contei com a ajuda de bons amigos que me orientaram: Justus Venter, sócio proprietário da Slick Aircraft, Steve Todd, manager do time inglês, e Alan Cassidy, escritor do livro “Better Aerobatics” e o piloto mais experiente e respeitado do Reino Unido.

 

– Pretende continuar competindo?

Sim sem duvida, pois percebi, que na acrobacia há sempre algo a aprender, e não existe a perfeição, e sim a busca por ela. Se não pode ser perfeito, por que não pode ser excelente? E muito mais severo que qualquer adversário, é você mesmo. Quanto mais você aprende, mais você se cobra. Sei que tenho limitações de equipamento, mas temos que ser e fazer o melhor com o que temos em mãos, e temos que continuar sonhando e inspirando novos pilotos a fazerem o que amamos!
Precisamos de incentivo por parte dos nossos governantes para o nosso esporte, pois podemos provar que o Brasil não é apenas o país do futebol.
Tenho o sonho de ver um brasileiro, como nós, no mais alto degrau do pódio de um campeonato mundial.

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Veja mais no link:

http://www.pilotspost.com/arn0000678

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