Estudo desmonta a lenda de que aviões experimentais causam mais acidentes

Como o próprio nome diz, um avião experimental é um … avião. O que o diferencia dos aviões certificados é o fato de não ter sido submetido a um processo de homologação, o qual é exigido quando se queira produzi-lo em série ou utilizá-lo como meio de transporte comercial.

Aviões experimentais usam os mesmos princípios construtivos, mesma lógica estrutural, obedecem às mesmas leis da física e da aerodinâmica, e usam quase sempre os mesmos materiais dos seus semelhantes homologados. É a mesma receita de fabricação. E geralmente quem opta por esse ramo são pilotos profissionais que tem a aviação também como hobby, ou aqueles que preferem mais opções e variedade, menos burocracia, menos gastos financeiros, e até mesmo aqueles que gostam de cuidar pessoalmente do avião, sem estarem atrelados a oficinas.

O Decreto 6.780/09, que instituiu a Política Nacional de Aviação Civil, estabelece que a aviação experimental deve ser reconhecida e estimulada pelas autoridades.

Porém, nos últimos anos, tem sido comum escutar de certos desinformados a afirmação de que aviões experimentais seriam inseguros e causariam mais acidentes do que os seus semelhantes homologados. Houve, inclusive, quem defendesse essa ideia junto a políticos, e há adeptos dessa tese até mesmo dentro da própria ANAC.

Por causa desse ‘achismo’, a ANAC tem implementado restrições exageradas a essa espécie de aviões .

E por que dizemos que é ‘achismo’?

Porque, em praticamente nenhum dos discursos, processos ou documentos referentes a esse tema, há a menção a dados estatísticos concretos, que comprovem que experimentais se acidentam mais do que aviões homologados. Assim, tudo leva a crer que esses “críticos” da aviação experimental embasam suas convicções em suposições midiáticas, sem pé na realidade.

Por outro lado, nós, que gostamos da aviação experimental, tivemos acesso a um estudo sério a nosso favor, elaborado em 2020 na UNISUL (Universidade do Sul de Santa Catarina) por Carlos Trilha Muller (que, além de piloto, é músico, e já chegou a produzir um disco junto com Renato Russo).

No estudo, após fazer um excelente histórico da aviação experimental, Muller se debruçou sobre todos os dados de acidentes constantes no CENIPA (que, apesar de não investigar casos de experimentais, possui o registro da maioria das ocorrências). Depois, conjugou-os em gráficos que indicam que aviões experimentais não são necessariamente mais inseguros do que aviões homologados.

Além disso, destacamos resumidamente duas constatações: a) o número de acidentes com experimentais era baixo até 2010; b) o aumento de acidentes ocorrido após 2010 coincide com a fase ápice das montadoras de kits, que entregavam o avião experimental pronto – de si, isso não é um problema, mas, segundo o autor, leva a supor que essa facilidade tenha atraído um público mais amplo que o habitual, e composto de pilotos com menos experiência (seriam os “domingueiros”?).

De qualquer forma, não há estatísticas a indicar que os aviões experimentais sejam mais inseguros que os aviões homologados. Também não há indícios de que haveria perigo no fato dos aviões experimentais serem comprados usados ou entregues já montados. Igualmente, não há nada que indique erro de construção ou de projeto na causa de acidentes.

O que pode ter motivado um aumento em acidentes, muito provavelmente, foi esse fato de aviões de melhor desempenho serem ocasionalmente entregues a proprietários com menos experiência. E aí entra o fator humano.

“Perda de controle em voo” e “falha de motor em voo” também são os principais fatores de acidentes na aviação homologada… e qualquer um percebe que a solução para isso não é proibir importação, revenda, montagem, voo ou sobrevoo de aviões experimentais, mas sim promover o melhor treinamento dos pilotos.

Para quem quiser ler a íntegra do estudo e ver todos os outros gráficos, pode acessá-lo neste link.

5 Respostas para “Estudo desmonta a lenda de que aviões experimentais causam mais acidentes

  1. Lamento verificar que esse artigo traga um título tão equivocado com relação a matéria de que trata. O estudo NÃO desmonta tese alguma. Basta ler. Ele apenas faz a tabulação dos dados e se concentra em mostrar o aumento dos acidentes a partir de 2009.
    O estudo poderia até explorar um gráfico que mostra como a quantidade de acidentes per capita tem se mantido quase sempre menor na aviação experimental com relação a aviação privada. Mas nao o fez! Quem tenta “desmontar a tese” sobre excesso de acidentes na aviação experimental, por outro lado é o próprio autor da notícia quando diz:
    “De qualquer forma, não há estatísticas a indicar que os aviões experimentais sejam mais inseguros que os aviões homologados. Também não há indícios de que haveria perigo no fato dos aviões experimentais serem comprados usados ou entregues já montados. Igualmente, não há nada que indique erro de construção ou de projeto na causa de acidentes.” Ou seja, nao é o estudo que propõe o argumento mas essa o autor da notícia.
    A aviação é uma atividade intrinsecamente perigosa. É por isso que agências como a ANAC, FAA, EASA, exigem uma série de “burocracias” para certificar um avião de modo a dar a sociedade uma referência de quais aviões são efetivamente seguros ou não. Muito parecido com o processo que agências como ANVISA, FDA e EMA(Europa) estão fazendo atualmente para avaliar e eventualmente aprovar as vacinas contra o Sars-COV-2. Se vc acha que as “burocracias” da ANAC são desnecessárias, pode ir tomar uma “vacina experimental” que estão vendendo no centro do Rio de Janeiro.

    • João, você que é tão entendido, então explique porque a FAA e EASA NÃO RESTRINGEM de modo permanente o voo de experimentais sobre áreas densamente povoadas.
      Quanto ao fato de ser perigoso, o simples fato de sair na rua pode te acarretar riscos! Ninguém da experimental quer que desapareçam com as regras, apenas questionam regras estúpidas!

  2. Por favor, poderiam identificar quem escreveu o artigo? Não consegui identificar. O texto do artigo é de responsabilidade do proprietário deste site? Obrigado

  3. Pingback: Ainda sobre as estatísticas entre homologados e experimentais | aeromagia·

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